sábado, 11 de agosto de 2018

Vendas no varejo no país caem 0,3% em junho e têm resultado pior que o esperado


As vendas no varejo brasileiro surpreenderam em junho ao encolherem pelo segundo mês seguido, ainda como reflexo da paralisação dos caminhoneiros que causou forte desabastecimento em todo o país e afetou a confiança dos agentes econômicos sobre o desempenho da economia como um todo neste ano.
As vendas caíram 0,3% em junho na comparação com o mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (10), registrando o pior desempenho para junho desde 2015 (quando a queda foi de 1,1%).
Na comparação anual, o setor subiu 1,5% em junho, ambos resultados piores do que o esperado. A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 0,2% na comparação mensal e de avanço de 2,4% sobre um ano antes.
O cenário ficou ainda mais sombrio porque o IBGE revisou, e para muito pior, o desempenho das vendas varejistas em maio —que passaram de contração de 0,6% para queda de 1,2% sobre o mês anterior.
"A série ajustada não conhecia o evento paralisação dos caminhoneiros. É natural haver revisão mais acentuada", afirmou a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.
"A entrada de junho transforma o dado de maio após melhor interpretação de dados novos", acrescentou.
Maio foi marcado por desabastecimento em todo o país devido ao protesto dos caminhoneiros no final do mês, que abalou ainda mais a confiança tanto do empresariado quanto dos consumidores, que já estava estremecida pelas incertezas sobre a eleição presidencial.
Segundo o IBGE, apesar da variação negativa, houve crescimento em cinco das oito atividades pesquisadas. A pressão negativa se deu nos segmentos de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,5%), interrompendo dois meses de taxas positivas, e no de combustíveis e lubrificantes (-1,9%).
As vendas no varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, subiram 2,5% em junho sobre maio. As vendas de veículos e motos, partes e peças saltaram 16%, enquanto as de material de construção subiram 11,6%.
Os sinais para o setor de varejo no país continuavam fracos. Em julho, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), a confiança do comércio recuou pela quarta vez consecutiva, sugerindo que o setor continuava perdendo o fôlego, pesando sobre esse cenário a vagarosa retomada do mercado de trabalho.
Pesquisa Focus do Banco Central, que ouve uma centena de economistas todas as semanas, mostra que a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país estava em 1,5%, a metade do que era projetado alguns meses antes.
Folha de São Paulo 



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