segunda-feira, 11 de junho de 2018

ROBERTO CAVALCANTI COMPARTILHAR: BRASIL PARADO

Conjunção dos astros?

Imprevisão, despreparo, descompromisso... Poderíamos recorrer a centenas de substantivos, e todos nos levariam ao estado atual, que é o Brasil parado.

O descrédito tomou conta do País. O brasileiro não enxerga no horizonte uma tendência de melhora, por nos faltar tudo. Não temos nem ao menos candidatos. Temos em quantidade; não temos em qualidade.

Saímos realmente de uma grave crise, provocada pela paralisação dos caminhoneiros como resultado da imprevisibilidade do preço do diesel, que estaria inviabilizando o negócio de fretes?

Estamos descobrindo que permanecemos nela.

Suas origens foram muitas e nada foi resolvido em definitivo. O dólar continua se apreciando, o real se desvalorizando, e não existe previsão do barril de petróleo inverter a curva de tendência ascendente.

O desconto no preço do diesel, ainda não efetivamente praticado, tende a não se materializar ao longo do tempo. Primeiro, a desculpa foi o estoque; depois, o ICMS que os governadores cobram e não aceitam reduzir.

Todos os demais derivados de petróleo estão em livre ascensão e não fizeram parte do acordo.

A política de preço mínimo para os fretes rodoviários - transporte majoritário no Brasil -, foi solução desastrosa. O confronto entre a realidade e o que foi decidido paralisou as operações. A majoração atingirá toda sorte de produtos.

Decisões equivocadas, tomadas no calor das crises, agravam as mesmas.

A do preço mínimo foi tão descabida que a Justiça Federal concedeu liminar a empresas que questionaram sua legalidade. O juiz Orlando Donato Rocha, da 8ª Vara Federal no Rio Grande do Norte, destacou que a MP se constituía em “intervenção do Estado na economia” e uma “flagrante inconstitucionalidade”.

As empresas que recorreram à Justiça estão desobrigadas a pagar pela tabela na qual o próprio governo admitiu “imprecisões”, mas não recuou no maior erro, o de fixar preços mínimos.

Infelizmente, as repercussões dessa crise são ampliadas pelo descrédito no comprometimento, em ano eleitoral como é o caso de 2018, com soluções que funcionem para o País e não apenas para uma parcela com poder de pressão, ao custo da maioria.

Diante desse cenário, como acreditar no futuro? Os empresários fazem as contas dos seus prejuízos e freiam investimentos. Regredimos 20 anos, voltamos ao tempo dos tabelamentos de preços, comprovadamente inviáveis e danosos.

A falta de perspectivas leva muitos a acionarem o “modo sobrevivência”, que não considera nada que não seja o interesse pessoal e imediato. Por isso a gasolina chegou a ser vendida a R$ 9,00 no período da paralisação.

Não gosto de propagar o ruim. Sou otimista por opção, porém, hoje, não consigo praticar essa virtude. Peço a Deus - e só a Ele - que salve de alguma forma nosso País, porque não estamos no rumo certo. Não há consciência nacional, apenas egocentrismo político-eleitoral.

O que dizer a meus netos sobre o futuro? Não tenho resposta. Neste momento não arrisco previsões.

Por eles, torço para que os brasileiros, cada dia mais participantes, forcem uma mudança no debate eleitoral e que os candidatos se posicionem claramente sobre as questões fundamentais para o Brasil, permitindo um voto que transmute pessimismo em otimismo. NAÇÃORURALISTA
POR FERNANDO COUTINHO


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