quarta-feira, 6 de junho de 2018

Dólar supera R$ 3,80 e liga alerta do BC, mas cenário deve piorar, alertam analistas

No início da tarde desta terça-feira (5), o Banco Central precisou anunciar uma intervenção extraordinária no câmbio após o dólar superar o patamar de R$ 3,80, mas mesmo assim, a tendência é que o cenário piore e a moeda continue pressionada daqui para frente.

Ganhando força junto com uma piora da bolsa, o dólar superou os R$ 3,80 por volta das 11h50, o que foi suficiente para o BC anunciar uma oferta de 30 mil contratos de swap adicionais com vencimentos em agosto, outubro e dezembro. Esta foi a primeira intervenção divulgada com o mercado aberto
desde que a gestão de Ilan Goldfajn passou a oferecer swaps no ano.
Após amenizar os ganhos, o dólar comercial voltou a ganhar força após o BC não conseguir colocar todos os contratos para venda, em um primeiro sinal da dificuldade para controlar o mercado neste momento. No fim do pregão, o mercado como um todo piorou e a moeda fechou o dia na máxima, com ganhos de 1,78%, cotada a R$ 3,8100 na venda.
O BC colocou 16.210 dos 30 mil contratos de swap cambial no 1º leilão extra anunciado no final da manhã. Em seguida, a autoridade fez uma nova tentativa para colocar os 13.790 contratos restantes, mas só conseguiu 6.110 swaps. Em nota, o Banco Central reiterou que "montantes das ofertas adicionais de swap poderão ser revistos" e ainda disse se reservar o direito de realizar "atuações discricionárias".
A questão é que por mais que a moeda tenha um alívio nesta sessão, o cenário segue problemático e será bastante difícil para a autoridade monetária segurar o câmbio. Segundo José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, "os leilões diários do BC ainda não conseguiram 'minar' a posição comprada".
"A questão é que em semana de agenda fraca no exterior, a cotação segue subindo aqui. O temor é alteração na projeção do Fed para os juros, que será divulgada na próxima quarta-feira (13)", explica ele ressaltando que uma mudança de posição de apenas um membro do comitê americano poderá levar o mercado a projetar 4 altas de juros este ano, algo que ainda não foi precificado.
A linha de compra de curto prazo projetada por ele está próxima de R$ 3,70, porém a moeda já está bem acima deste nível. "Esta linha sempre deve ser considera como o primeiro ponto de compra, ou seja, as melhores oportunidades compras parecem que ficaram para trás e as chances do dólar cair em direção a R$ 3,60 parecem cada vez mais remotas", afirma Faria.
Já Sidnei Nehme, diretor executivo da corretora NGO, destaca que outro tipo de movimento terá de ser tomado. "Embora o BC venha irrigando o mercado futuro com a oferta contundente de proteção com os swaps cambiais, acreditamos que este instrumento perderá eficácia pois com o incremento da tendência de saída dos recursos estrangeiros do mercado financeiro, a demanda se acentuará no mercado a vista de dólar", afirma em relatório.
"Temos destacado que haverá esta necessidade de ação por parte do BC, podendo diminuir a oferta de swaps cambiais e mixá-la com a oferta de liquidez com o leilão de linhas de financiamento em moeda estrangeira com compromisso de recompra, antecipando-se a pressão de demanda para atenuar o viés de alta e a volatilidade", explica o analista.
Ele afirma que a suposição de que o maior volume do mercado está com "hedge" é o que tem mantido o mercado em um nível entre R$ 3,70 e R$ 3,75. "Mas se o governo não agir rapidamente com a oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra, e a demanda se deslocar para o mercado a vista, a taxa cambial poderá ser pressionada e ir além dos níveis praticados até ontem", conclui.
Info Money 


← ANTERIOR PROXIMA → INICIO

0 Comments:

Postar um comentário

Editorial