quinta-feira, 14 de junho de 2018

Caso Marielle: 'Foi um crime político', diz procurador-geral de Justiça do Rio

O procurador-geral do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, se reuniu nesta quarta-feira com familiares da vereadora Marielle Franco e representantes da Anista Internacional. O encontro, realizado na véspera de completar três meses da morte da vereadora e do motorista Anderson Gomes, teve como objetivo cobrar respostas do Ministério Público do Rio (MPRJ) sobre as investigações.
Durante a reunião, que teve a participação dos pais de Marielle, Marinete Silva e Antônio Francisco Silva; da viúva Monica Benício; e da coordenadora de pesquisa da Anistia Internacional, Renata Néder, Gussem reafirmou que já foi criado um grupo específico para acompanhar os trabalhos da polícia, e disse acreditar que o crime foi político e premeditado:
- Foi um crime executado de uma forma bem planejada, muito pensada, muito premeditada. O crime é extremamente grave por que atenta contra os direitos humanos. Sabemos que, sem dúvida alguma, foi um crime político para calar uma das maiores, se não a maior, representante de direitos humanos hoje em dia do nosso país. Tentaram calar a comunidade. As autoridades têm o compromisso da busca pelo esclarecimento com três, com quatro, com cinco meses. Não é encontrar qualquer culpado. É encontrar o verdadeiro culpado. - disse Gussem, que completou:
- Nós recebemos familiares da vereadora Marielle e representantes da Anistia Internacional, que vieram nos trazer um ofício. Reafirmamos o nosso compromisso com a elucidação do homicídio de Marielle e de Anderson, e não estamos poupando esforços na busca dos esclarecimentos necessários. Porque é importante chegarmos aos verdadeiros culpados. É óbvio que uma investigação dessa magnitude, dessa complexidade, leva um período significativo. Não estamos abrindo mão de qualquer tipo de informação ou de relacionamento do MPRJ com todas as instituições de âmbito estadual e federal, e isso tem contribuído para buscar os verdadeiros culpados.
Antes do encontro, os familiares de Marielle participaram de um ato organizado pela Anistia Internacional para cobrar respostas sobre o caso. Os voluntários da Anistia tocaram cornetas em frente ao Ministério Público, e através de um alto falante, cobraram a identificação de quem matou Marielle e do mandante do crime.
A morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, pode ter começado a ser planejada no ano passado. Investigadores que apuram o caso, considerado o mais difícil da história da Delegacia de Homicídios da Capital (DH), avaliam se a parlamentar estava sendo alvo de uma escuta clandestina em seu gabinete, no nono andar da Câmara dos Vereadores. A suspeita acontece porque assessores de Marielle, ao voltarem do recesso de fim de ano, no início de fevereiro, perceberam que as placas do teto da sala da vereadora haviam sido alteradas. A hipótese é de que o “grampo” tenha sido retirado durante as férias coletivas.
Imagens do circuito interno do Palácio Pedro Ernesto mostram o momento em que um homem escalou o prédio, em fevereiro. Ao tomar conhecimento do caso, um mês antes do ataque a Marielle, o vereador Tarcísio Motta (PSOL) pediu ao presidente da Casa, Jorge Felippe (PMDB), que fizesse uma varredura em todos gabinetes, mas ele não foi atendido. O caso chamou atenção da DH, que tem pedido, com frequência, imagens da época para a segurança da Casa.

O Globo 


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