sábado, 5 de maio de 2018

'Não seria isso que me faria desistir da reeleição', diz Temer após vaias

Em entrevista exibida pela rede NBR, do governo federal, nesta sexta-feira (4), o presidente Michel Temer (MDB) disse a hostilidade sofrida por ele na visita ao local do desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no centro de São Paulo, não seria motivo para reconsiderar a candidatura à reeleição.

No momento, o presidente se apresenta como possível pré-candidato do MDB. Outro pré-candidato à Presidência pelo partido é seu ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Segundo Temer, a decisão de se lançar na disputa só será tomada em junho, quando outras candidaturas estarão mais sólidas ou terão desaparecido.

Temer foi à área do prédio desabado na manhã de terça (1º) e, após entrevista, teve de deixar o lugar às pressas após ser vaiado. "Nós queremos casas!", "vagabundo", "pilantra", gritava a multidão. Houve, inclusive, quem atirasse objetos na direção dele e seguranças tiveram de levantar uma pasta como barreira no ar.

Para assessores do presidente, qualquer ação de Temer em relação ao desabamento seria criticada.

"Não seria esse fato que me faria desistir de reeleição. Posso não ir para a reeleição na medida em que eu começar a perceber o seguinte: você tem muitos candidatos. Blocos de extrema esquerda, blocos de extrema direita e blocos de centro. Vejo que no bloco centro tem seis, sete, oito candidaturas, o que não é útil. Porque você tem que fazer com que o eleitor faça suas opções", disse.

De acordo com o presidente, como já estava em São Paulo, seria "falta de autoridade não comparecer para prestar solidariedade" às vítimas do desabamento e falar com a imprensa.

"Interessante, eu fui até meio sozinho né? Fui com um carro e outro carro. Portanto, sem nenhuma estrutura de segurança. Falei com a imprensa, cumpri os objetivos e depois houve agressões verbais etc e quase agressão física né? Interessante que isso não é de me assustar. Pelo contrário, acho que eu tive uma relação de coragem de autoridade. Quem é presidente da República tem que enfrentar essas coisas. Lamento até que elas ocorram, mas tem que enfrentar", afirmou.

Na quarta (2), Temer disse que o governo deve liberar recursos para ações em razão do acidente, mas não especificou quanto nem para quem ou o quê. Segundo ele, esses detalhes serão definidos pelo Ministério da Integração Nacional, que acompanha o caso mais de perto.

Procurado pelo UOL no dia, o Ministério da Integração Nacional informou que está em contato com o governo do estado e a prefeitura de São Paulo para que relatem a ajuda necessária da pasta. Segundo o ministério, nenhum pedido foi feito até o momento. Os recursos serão liberados de acordo com a demanda do auxílio, informou. Em um primeiro momento, este deve se concentrar na assistência às famílias afetadas com o fornecimento de água, cobertor e kits de primeiros socorros.

 Temer recebeu os jornalistas na biblioteca do Palácio da Alvorada. A entrevista durou cerca de uma hora.

A entrevista ocorreu com perguntas amenas e respostas igualmente sem sobressaltos. Apenas quando indagado sobre uma eventual terceira denúncia contra ele por parte da PGR (Procuradoria-Geral da República) é que Michel Temer foi mais enfático em se defender. Ele chamou as duas denúncias já em suspenso pela Câmara dos Deputados de "pífias" e disse que uma terceira seria "mais pífia" ainda.

"Ela [a eventual terceira denúncia] é uma mera hipótese, fala-se nisso para tentar desvalorizar o governo. Ela não tem a menor possibilidade de prosperar, eu diria que é mais pífia, de menor dimensão até do que as denúncias anteriores", rebateu.

"Claro que não tenho nenhuma preocupação. Há apenas uma campanha deliberada para 'ah, pode vir uma terceira denúncia etc'. Isso é para tentar enfraquecer o governo. Se nós resistimos até hoje, imagina se não pode resistir a quatro, cinco, seis meses", falou.

Em SP, Temer cita liberdade de expressão
Nesta manhã, o presidente esteve na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), na Vila Mariana, zona sul de São Paulo para participar do encerramento da apresentação do relatório sobre Riscos em Negócios Internacionais. Chegou com mais de uma hora de atraso para falar aos estudantes da instituição e abriu sua fala exaltando a liberdade de expressão como direito constitucional, sem mencionar, no entanto, a polêmica de que a ESPM teria divulgado orientações aos alunos para que não protestassem durante a visita do presidente.

"Você colocou muito bem [se referindo ao presidente da ESPM, Dalton Pastori] um dado importantíssimo que basicamente, penso eu, pauta todos os trabalho dessa escola superior, que é liberdade de manifestação, de expressão, de imprensa, uma coisa fundamental para o país."

Em postagem feita no Facebook, o Diretório Acadêmico Guerreiro Ramos ESPM reproduziu o que seria uma nota da instituição ao corpo discente que pedia "educação para com o presidente" e dizendo que "protestos dentro da faculdade não serão tolerados". A assessoria de imprensa desmentiu a suposta nota, afirmando ter enviado circular aos estudantes, professores e funcionários informando sobre as mudanças na rotina da ESPM que a visita do presidente traria.

Não foram registrados protestos contra Temer durante o evento. O presidente foi aplaudido após discurso de quase 40 minutos. No entanto, do lado de fora da instituição de ensino havia alguns cartazes com as frases "Tem que manter isso ai, viu" ou "Fora Temer" pregados nas árvores que ficam em frente à ESPM. Temer saiu sem falar com a imprensa.
UOL 


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