quinta-feira, 10 de maio de 2018

Bispo suspeito de desvio de dízimos em Formosa lista Papa Francisco como testemunha de defesa


O bispo afastado de Formosa, dom José Ronaldo Ribeiro, listou o Papa Francisco, o núncio apostólico no Brasil, Giovanni D’Aniello, e o cardeal Dom João Braz de Aviz entre as 31 testemunhas no processo que investiga o desvio de mais de R$ 2 milhões em dízimos da Diocese de Formosa. O advogado dele, Lucas Rivas, disse que as escolhas foram técnicas e defende a inocência do padre.
Além dele, outras dez pessoas — incluindo o juiz eclesiástico Tiago Wenceslau, o vigário-geral Epitacio Cardozo e mais três padres — estão entre os acusados de participar do esquema. O Ministério Público apurou que eles usaram o dinheiro para comprar uma fazenda de gado, uma casa lotérica e carros de luxo.
"Ficou bem evidente desde a busca da soltura dos religiosos por meio de habeas corpus, que a estratégia dos acusados é adiar o máximo que puderem o julgamento do caso, de forma a se beneficiarem do transcurso do tempo, que virá acompanhado de um pretendido esquecimento e da prescrição", disse o promotor responsável pelo caso, Douglas Chegury.
O G1 tentou contato com a Nunciatura Apostólica no Brasil (que funciona como embaixada da Santa Sé) ao longo desta quarta, mas não recebeu retorno.
À reportagem, a assessoria do "interventor" nomeado pelo Papa após o escândalo, Dom Paulo Mendes Peixoto, disse que ele está escrevendo um parecer, juntamente com outros responsáveis, para enviar para a Santa Sé e a partir deste documento a Igreja tomará as devidas medidas. Ainda não há nada definido.
Desde a soltura, Dom José Ronaldo está ficando na casa episcopal (casa do bispo da Diocese), porém não está exercendo nenhuma função administrativa.

Operação Caifás

Deflagrada pelo MP-GO, a Operação Caifás apura o desvio de R$ 2 milhões pela Diocese de Formosa. No último dia 19 de março, nove pessoas foram presas. Além do dízimo, a apuração apontou que o grupo se apropriava de dinheiro oriundo de doações, arrecadações de festas realizadas por fiéis e taxas de eventos como batismos e casamentos.
As investigações sobre o desvio começaram no ano passado, após denúncias de fiéis. Eles afirmaram que as despesas da casa episcopal subiram de R$ 5 mil para R$ 35 mil desde a chegada do bispo Dom José Ronaldo, em 2015. Na ocasião, o clérigo negou haver irregularidades nas contas da Diocese de Formosa.
G1 


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