quarta-feira, 16 de maio de 2018

Bebê morre intoxicado por gás lacrimogêneo em Gaza, dizem palestinos

Um bebê palestino morreu intoxicado após inalar gás lacrimogêneo lançado por Israel para reprimir manifestantes palestinos na fronteira com a Faixa de Gaza, informou nesta terça-feira (15) o Ministério da Saúde da Palestina.
O bebê foi identificado como Leila al-Ghandour, de oito meses, e está entre as dezenas de palestinos mortos durante a segunda-feira nos confrontos com as tropas israelenses. Imagens captadas por agências de notícias mostram a mãe do bebê em prantos durante o sepultamento da criança.
De acordo com o Ministério da Saúde da Palestina, em balanço divulgado na manhã desta terça, são 60 palestinos mortos, incluindo oito crianças, e 2.771 feridos nos protestos. Grande parte foi morta ou ferida por tiros de soldados israelenses.
Foi o dia mais violento na região em quatro anos. Nesta terça, os palestinos enterravam os mortos e se preparavam para novos protestos, recordando a "Nakba", a "catástrofe", como definem a criação do Estado de Israel em 1948 e o êxodo de centenas de milhares de palestinos.
Os protestos também foram motivados pela transferência da embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém, com o reconhecimento norte-americano de que a cidade disputada é a capital de Israel, na segunda-feira (14). Apesar da violência em Gaza, representantes israelenses e americanos celebraram um "dia histórico" para o estado judeu.

Hamas e Israel prometem combate

Khalil al-Hayya, um dos líderes do Hamas, movimento islamita que governa a Faixa de Gaza, afirmou que as manifestações devem prosseguir.
O Hamas, que enfrentou Israel em três guerras desde 2008, apoia a mobilização e afirma que esta é uma iniciativa civil, um movimento pacífico. Os milhares de combatentes do grupo não utilizaram suas armas até o momento, mas Al-Hayya deu a entender que isto pode mudar.
Já o Exército israelense acusa o Hamas de utilizar este movimento para misturar combatentes armados entre a multidão ou para colocar artefatos explosivos na fronteira.
As autoridades israelenses mobilizaram milhares de soldados ao redor da Faixa de Gaza e na Cisjordânia pelo receio de novos distúrbios. "Qualquer atividade terrorista terá uma resposta", advertiu o governo.
Israel teme que os palestinos derrubem a cerca de segurança e entrem em seu território. O governo alertou que utilizará "todos os meios" para proteger a barreira, seus soldados e os civis.
Ao mesmo tempo, o governo afirma que seus soldados só utilizam balas letais como último recurso.
Também estão previstas manifestações na Cisjordânia, a dezenas de quilômetros da Faixa de Gaza. Os dois territórios estão separados pelo território israelense.

Repercussão negativa para Israel

Israel recebeu críticas pelo uso excessivo de força na segunda-feira. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir durante a tarde, a pedido do Kuait.
Nesta terça-feira, a China pediu moderação, "especialmente a Israel (...) para evitar uma escalada de tensão".
As autoridades palestinas denunciaram um "massacre". Turquia, Irlanda e África do Sul decidiram convocar para consultas seus embaixadores em Israel. Ancara acusou Israel de "terrorismo de Estado" e de "genocídio", atribuindo parte da responsabilidade ao governo dos Estados Unidos.
A França "condenou a violência das Forças Armadas israelenses contra os manifestantes" palestinos.
Mas o governo dos Estados Unidos, aliado histórico de Israel e cujo presidente Donald Trump multiplicou os gestos favoráveis ao Estado hebreu, bloqueou na segunda-feira a aprovação de um comunicado do Conselho de Segurança que expressava "indignação e tristeza com as mortes de civis palestinos que exercem seu direito de manifestação pacífica". A Anistia Internacional chegou a mencionar "crimes de guerra".
Desde 30 de março, a Faixa de Gaza é cenário de protestos conhecidos como a "a grande marcha de retorno". O movimento defende a reivindicação dos palestinos a retornar para as terras das quais fugiram ou foram expulsos com a criação de Israel em 1948.
O movimento também denuncia o bloqueio imposto há mais de 10 anos à Faixa de Gaza por Israel para conter o Hamas. (Com AFP)
UOL 


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