quarta-feira, 11 de abril de 2018

Maconha ou canabinoide sintético? Entenda qual droga causou mais de 110 sangramentos graves nos EUA

Três pessoas morreram após ter relatado o uso de canabinoides sintéticos na região de Chicago e no centro de Illinois, de acordo com o Departamento de Saúde Pública (IDPH, sigla em inglês) do estado americano. Segundo o órgão, 114 pessoas apresentaram efeitos graves após relatar o consumo dessas substâncias.

"Vemos que o número de casos continua aumentando", disse o diretor do IDPH, Dr. Nirav D. Shah. "O IDPH não sabe quanto o produto pode estar contaminado, ou onde está circulando. Pedimos a todos veementemente que não usem canabinoides sintéticos." A nota divulgada pelo departamento disse que encontrou, em algumas amostras, traços de brodifacoum – substância extremamente tóxica e usada como veneno de rato.

De acordo com o químico Guilherme Marson, a maior parte destas drogas sintetizadas de forma clandestina é produzida sem um controle rigoroso contra impurezas, solventes e procedimentos de qualidade.

"Tem uma molecada que se mete a fazer ciência em laboratório porco. Eles misturam tudo, como quem faz bolo, e o resultado é que as pessoas tomam essas coisas sem saber o que tem ali, nem se foi testado", disse.
O IDPH relatou efeitos colaterais graves, além das mortes: tosse com sangue, sangue na urina, sangramento do nariz e das gengivas. Segundo Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, os canabinoides sintéticos são de 80 a 100 vezes mais potentes do que a maconha.

Cannabis x canabinoides sintéticos

Apesar do nome parecido com a cannabis – gênero que inclui três variedades diferentes da planta, a sativa, a indica e a ruderalis –, os canabinoides sintéticos são substâncias produzidas em laboratório e usadas para consumo ilícito.
O professor da Universidade Clemson, John W. Huffman, foi quem iniciou na década de 90 as pesquisas para a maioria dos canabinoides sintéticos que são usados como entorpecentes nos dias de hoje. Ele criou uma série de estruturas para tentar ajudar no tratamento de HIV, câncer, esclerose múltipla. No final, nenhuma delas foi usada para a medicina, mas passaram para o mercado ilegal das drogas.
São dezenas de fórmulas, algumas proibidas e outras ainda não detectadas. Os traficantes muitas vezes recriam estruturas parecidas, mas com uma pequena parte da molécula diferente, para se esquivar da fiscalização dos governos. No Brasil, a maioria dos canabinoides são proibidos, assim como nos Estados Unidos.
G1 


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