sexta-feira, 16 de março de 2018

Ministério encontra mão de obra escrava em fazendas ligadas a seita

O Ministério do Trabalho informou nesta quinta-feira (15) que a fiscalização da pasta autuou proprietários de três fazendas nos estados de Minas Gerais, Bahia e São Paulo por uso de mão de obra escrava.

A operação, batizada de " Canaã – A Colheita Final", encontrou nessas fazendas 565 trabalhadores em condições análogas às de escravo, 438 sem registro em carteira e ainda 32 menores em atividade proibida.

Foram cumpridos, nessa operação, 22 mandados de prisão preventiva, 17 interdições de estabelecimentos comerciais e 42 mandados de busca e apreensão. Segundo a fiscalização do Ministério do Trabalho, 13 dirigentes da seita foram presos preventivamente e o resto está foragido.

De acordo com o governo, os trabalhadores prestavam serviço a uma seita religiosa conhecida como Comunidade Evangélica Jesus, a Verdade que Marca. Eles trabalhavam em fazendas de cultivo de hortifrutigranjeiros, além de postos de gasolina, restaurantes e cafés do grupo.

Ainda de acordo com o ministério, uma investigação apontou que os trabalhadores teriam sido "aliciados" por dirigentes da seita religiosa, em São Paulo, e convencidos a doar os bens para as associações controladas pela organização, tendo de mudar-se para uma comunidade, onde todos os bens móveis e imóveis seriam compartilhados.

Após entrar na seita religiosa, continua o ministério, as pessoas eram levadas para zonas rurais e urbanas em Minas Gerais (Contagem, Caxambu, Betim, Andrelândia, Minduri, Madre de Deus, São Vicente de Minas, Pouso Alegre e Poços de Caldas), na Bahia (Ibotirama, Luiz Eduardo Magalhães, Wanderley e Barra) e na capital paulista, para trabalhar em lavouras e em estabelecimentos comerciais como oficinas mecânicas, postos de gasolina, pastelarias, confecções e restaurantes, todos comandados pelos líderes da seita.

Segundo o auditor o coordenador da ação, Marcelo Campos.

Crescimento patrimonial
O Ministério do Trabalho informou que chamou a atenção, durante a investigação, o crescimento do patrimônio pessoal dos líderes da seita e um "grande aumento" de fiéis nos últimos cinco anos.

"Nessa fase, autuamos as empresas do grupo criadas pela seita a pagar os direitos trabalhistas retroativamente, desde a data em que os trabalhadores começaram a prestar os serviços, e vamos disponibilizar a todos aqueles encontrados em situação de trabalho escravo as guias para acesso ao seguro-desemprego", disse Campos na nota.

Fiscalização do trabalho escravo
Em outubro do ano passado, o Ministério do Trabalho foi alvo de duras críticas ao editar portaria que tornou mais difícil caracterizar o trabalho escravo.

No final de 2017, porém, o governo recuou e tornou mais rigorosas as definições de jornada exaustiva e condição degradante do trabalhador, além de ter ampliado outros conceitos para a configuração desse tipo de mão de obra. Com isso, o governo deixou em vigor no país as regras que já estavam valendo há 14 anos.
G1 


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