sexta-feira, 16 de março de 2018

Fifa quer mudar regra de transferências para limitar poder de supertimes

O plano da Fifa de mudar o sistema de transferências de jogadores inclui medidas que visam limitar o poder de supertimes europeus e reduzir o desequilíbrio em campo visto em temporadas recentes. Foram essas ideias apresentadas pelo presidente da federação internacional, Gianni Infantino, a dirigentes de todas as Américas. O projeto inclui 11 pontos e Infantino tem feito lobby em todo mundo por sua implantação.
A cúpula da Fifa com todos os países da América (Conmebol e Concacaf) e Espanha foi realizada em Lima na última segunda-feira. Entre os pontos abordados, estava a questão da mudança das transferências, plano traçado por Infantino.
Dos 11 pontos apresentados, pelo menos dois tentam reduzir o poder dos supertimes. Um deles é uma limite para os empréstimos de jogador que estejam no elenco. A medida tem como objetivo evitar que um clube rico contrate vários jogadores e os reempreste pelo mundo para manter o vínculo com o atleta.
É uma prática comum, por exemplo, no Chelsea ou no Manchester City. O clube de Guardiola tem dois atletas contratados nos últimos que estão em outros times, casos de Marlos Moreno (no Flamengo) e Douglas (no Girona), ex-Vasco.
Na revista da Fifa de março, Infantino escreveu: ''Além disso, não podemos aceitar que os clubes ricos mantenham dúzias de jogadores sob contrato, vários deles podem estar em empréstimos para clubes que podem ser seus rivais.'' Além da preocupação de os grandes exercerem reserva de mercado, há o temor da possível influência dos clubes donos de seus direitos enquanto eles estão atuando por outras equipes, o que pode afetar a credibilidade do futebol.
Uma segunda medida que faz parte do plano é um teto para gastos com salários de jogadores. Não seria um teto individual. O clube poderia ter um limite de gastos com salários percentual a sua receita. Um mecanismo parecido com o previsto na Lei do Profut que limita o gasto percentual com salários.
Em seu discurso, Infantino criticou o crescente abismo entre os clubes ricos e os pobres. A própria Uefa já tem tomado medidas com essa preocupação: limita elencos para a Liga dos Campeões e exige presença de um percentual de jogadores da bases. No Brasil, isso poderia afetar times como Flamengo e Palmeiras que mantêm elencos vastos e emprestam parte dos atletas.
Além das medidas para reduzir o poder dos clubes grandes, a Fifa ainda tem ideia de aumentar a remuneração para clubes formadores e o fim da janela de transferências de jogadores em janeiro, como mostrou o blog do Marcelo Rizzo.
A lista do projeto ainda inclui limites para as comissões de empresários por transferências, já que os valores gastos com os agentes são considerados impróprios pela Fifa. Um dos motivos foi uma adaptação do mercado ao veto a que terceiros possam lucrar com transferências. Assim, clubes passaram a disfarçar esses direitos em comissões.
A Fifa quer um teto percentual para as comissões. Hoje, só indica que deveriam ser de 3%, mas estudo da própria entidade mostra que esses percentuais giram entre 5% e 15%.
Outro ponto é aumentar a repressão aos chamados clubes-pontes. São times ligados a empresários ou a empresas que só servem para lucrar com a venda de atletas, sem fim esportivo. São os casos de times que estão na segunda ou terceira divisão Estadual e detêm direitos de atletas da Série A do Brasileiro.
A proposta de Infantino para a alteração das transferências não recebeu críticas nem sugestões das federações da América, o que indicou aprovação. Dentro da Fifa, é dado como certo que ele vai levar adiante o seu projeto, só restando saber se clubes europeus terão força para pelo menos manter a janela de janeiro.
O Conselho da Fifa ainda não votará a questão na reunião desta semana que ocorrerá em Bogotá. Mas a expectativa dentro da federação internacional é que o projeto não demore a se concretizar.
A preocupação da cúpula da Fifa tem relação com o aumento explosivo dos valores de negociações de jogadores nos últimos anos, tendo Neymar atingindo o recorde de € 222 milhões e logo seguido por transações similares. Mas a intenção não é bloquear a entrada do dinheiro no futebol, mas regula-lo, nas palavras de Infantino.
UOL 


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