domingo, 25 de março de 2018

Dólar sobe para maior nível em três meses com cautela com guerra comercial

O dólar terminou com leve alta ante o real e renovou o maior patamar do ano, com investidores trocando a leve correção engatada em parte da sessão por cautela em meio aos temores de eventual guerra comercial desencadeada por tarifas impostas pelos Estados Unidos.
O dólar avançou 0,28 por cento, a 3,3192 reais na venda, maior valor desde os 3,3345 reais de 22 de dezembro passado. A moeda subiu pela quinta semana consecutiva, acumulando 3,04 por cento no período. O dólar futuro registrava leve alta de cerca de 0,06 por cento.
“A possibilidade de guerra comercial deve continuar trazendo cautela nos próximos dias…deixando os mercados voláteis”, comentou o economista da corretora Guide, Ignacio Crespo Rey.
As tensões com uma guerra comercial têm afetado os mercados mundiais recentemente e ganharam mais peso na véspera, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um memorando que terá como alvo tarifas sobre até 60 bilhões de dólares em produtos chineses, ainda que tendo adotado um tom mais ameno.
No exterior, o iene avançava contra o dólar para o nível mais alto em mais de 16 meses com a busca de ativos menos arriscados em meio à crescente ameaça de guerra comercial.
O dólar atingiu a mínima em um mês ante a cesta de moedas e se encaminhava para sua maior queda semanal em cinco com investidores preocupados com a escalada das tensões comerciais que podem afetar o crescimento global.
“Depois de atingir forte alta, poderíamos ver alguma queda”, trouxe a Fair Corretora em relatório. “Porém, com final de semana que chega, onde notícias podem eventualmente influenciar o mercado semana que vem,… (o dólar) pode acabar o dia em alta”, advertiu mais cedo.
Ante divisas de países emergentes, o dólar era negociado de forma mista, em queda ante o peso mexicano e avanço em relação à lira turca.
Os investidores também estiveram de olho na cena política interna após o Supremo Tribunal Federal (STF) conceder liminar para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva permaneça em liberdade até pelo menos 4 de abril, quando será retomado o julgamento do habeas corpus preventivo impetrado pela defesa do petista.
Líder das intenções de voto à Presidência, o mercado gostaria que o ex-presidente não concorresse nas eleições deste ano por entender que ele seria um candidato menos comprometido com o ajuste das contas públicas.
O Banco Central brasileiro vendeu nesta sessão toda a oferta de até 14 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para rolagem do vencimento de abril. Dessa forma, já rolou 7 bilhões de dólares do total de 9,029 bilhões de dólares.
Se mantiver esse volume e vendê-lo integralmente, o BC rolará o valor total dos swaps que vencem no próximo mês.
Exame 


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