quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Michael defende Tifanny, descarta liga para trans e apoia inclusão: 'O novo assusta'

Ver Tifanny superar as críticas é sinônimo de nostalgia para quem é exemplo de inclusão no contexto esportivo. O meio de rede Michael fez história em abril de 2011 quando assumiu a homossexualidade em meio ao preconceito e defende a atleta do time de Bauru, a primeira trans na Superliga feminina.
Hoje um dos principais jogadores do Itapetininga, projeto paulista capitaneado pelo medalhista olímpico André Nascimento, e que busca o acesso à elite do vôlei, Michael defendeu a bauruense.
– Acho que tudo que é novo assusta, as pessoas ficam um pouco perturbadas e a Tifanny já é realidade. Tem muita gente que fala besteira e o negócio é não escutar. Eu passei por isso, das pessoas comentarem sobre a sua vida, é difícil e acho que ela está levando muito bem – disse o jogador do Itapetininga.
Michael é uma das esperanças do Itapetininga na Superliga B (Foto: Carlos Dias )Michael é uma das esperanças do Itapetininga na Superliga B (Foto: Carlos Dias )
Após completar sua transição sexual, Tifanny está apta e regular dentro das determinações do Comitê Olímpico Internacional (COI), da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).
Apesar da polêmica que envolve as questões de gênero e o debate sobre o físico, ela tem o nível de testosterona monitorado regularmente, que deve ser abaixo de 10 nanomols por litro de sangue. Ela tem 0,2 nanomol. Sobre a suposta vantagem em relação ao rendimento de Tifanny sobre as adversárias, Michael defende a inclusão.
– Todos os ambientes de vôlei falam do caso Tifanny. As pessoas comentam se vão aparecer mais trans e é muito difícil surgir outras trans como ela. Por isso, não tem como fazer uma liga só para trans, nesse momento nós temos que pensar só em inclusão – diz.
Quase sete anos depois de ser ofendido por um ginásio lotado durante todo o jogo na semifinal da Superliga, Michael admira o modo como Tifanny lida ao atrair olhares sempre que pisa em quadra.
– O preconceito existe e quando você vê um jogo lotado e as pessoas aplaudem o seu trabalho, abraçam você, a gente vê que evoluímos bastante e estamos no caminho certo – finaliza Michael.
Globo Esporte 


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