sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Mãe é suspeita de agredir criança de dois meses

As mãos que deveriam proteger foram usadas para agredir uma bebê de apenas dois meses que, ainda por cima, nasceu prematura. Sem qualquer outra forma de se defender da própria mãe, foi o choro dela que denunciou mais um caso de violência contra crianças na Paraíba. O fato aconteceu na cidade de Sumé, no Cariri do estado, a 281 km de João Pessoa, nessa quarta-feira (21). A polícia agora investiga se essa teria sido a primeira vez que Natália de Carvalho Araújo, 21 anos, agrediu a filha.
De acordo com a Polícia Civil,  uma prima de Natália estava passando na rua, quando ouviu o choro da bebê vindo da residência e, ao verificar um hematoma na perna dela, acionou o Conselho Tutelar da cidade. O exame de corpo de delito foi realizado no Hospital Alice de Almeida e comprovou agressão. O pai da bebê não estava em casa quando tudo aconteceu e ficou revoltado ao saber do caso. Já a mãe foi indiciada pelo crime de lesão corporal leve, cuja pena varia de três meses a um ano, conforme o Código Penal.
“Ela alegou ter perdido a paciência com a filha, justificando que está passando por problemas no casamento. A mulher disse que as brigas com o marido têm sido constantes e que, além disso, anda estressada com os estudos. A prima de Natália contou que a bebê vinha sofrendo agressões e que a mãe costumava deixar a filha dormindo em casa, sozinha, e ia para a escola à noite. O que a polícia apurou foi que Natália estava grávida de gêmeas, mas perdeu uma das bebês no parto”, revelou o delegado seccional de Monteiro, João Joaldo.
O Conselho Tutelar de Sumé informou que, após a agressão ter sido comprovada, um relatório do caso foi encaminhado para a Polícia Civil e o Ministério Público foi acionado para tomar as medidas cabíveis.
“Por se tratar de uma criança de apenas dois meses, que nasceu prematura, nós achamos melhor tirá-la de casa, onde estava vulnerável e corria riscos. O Ministério Público acatou a necessidade de colocá-la provisoriamente em um lar substituto, sob os cuidados da avó paterna. A mãe passará por uma avaliação psicológica que determinará se ela tem ou não condições de continuar com a guarda da menina”, explicou o conselheiro tutelar, Josimar Guabiraba da Silva.
Para o psiquiatra Ednaldo Marques, a morte de uma das filhas pode ter sido o gatilho para o comportamento agressivo de Natália, mas é improvável que seja a causa. “Como essa mulher está na fase pós-parto, é possível que ela esteja sofrendo de psicose pós-parto. Nesse caso, a mãe acha que está fora da realidade e fica com os pensamentos desorganizados, podendo até mesmo ficar agressiva. Se uma pessoa tiver transtorno de bipolaridade, ela pode ter mudanças no humor ou ciclagem. Quando esse quadro evolui para a fase de mania, a pessoa tem pensamentos acelerados, comportamentos por vezes exagerados e atitudes que podem se tornar desproporcionais e agressivas. Com os problemas conjugais, a rotina de estudos e as noites mal dormidas por conta do bebê, ocorre uma sobrecarga emocional que agrava ainda mais a ciclagem de humor”, esclareceu.
O psiquiatra explicou que o tratamento adequado depende de uma avaliação médica. “No caso de psicose pós-parto, o tratamento é feito, principalmente, com drogas do grupo de antipsicóticos, já se houver transtorno de humor, a associação medicamentosa mais comum é de estabilizadores de humor com antipsicóticos”, finalizou.
*Reportagem de Ricardo Júnior, do Jornal Correio da Paraíba.
POSTADO POR FERNANDO COUTINHO - NAÇÃORURALISTA.COM.BR


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