domingo, 14 de janeiro de 2018

Rebaixamento da nota do Brasil cria mal-estar entre Maia e Meirelles

A notícia do rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s causou mais um mal-estar entre o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O parlamentar fluminense afirmou ontem ter ficado “magoado” com a nota do Ministério da Fazenda, divulgada na véspera, que responsabilizou o Congresso pela piora do risco brasileiro, devido à não aprovação da reforma da Previdência.
— Nosso desafio não é encontrar culpados. Precisamos encontrar uma solução para aprovar a reforma da Previdência. Sei que o presidente Temer está sempre empenhado, mas o que a gente não pode é reorganizar a votação e o ministro da Fazenda ficar procurando responsáveis por esse problema. Fiquei muito magoado — disse Maia.
Segundo o presidente da Câmara, a não aprovação da reforma se deveu, principalmente, às denúncias contra Michel Temer. Quando se aproximava a votação, no ano passado, foi tornada pública a delação do empresário Joesley Batista. E o governo ainda tirou da base os deputados que votaram contra Temer, reduzindo o número de governistas.
— A forma como Meirelles falou parece que ele está contra a reforma. Depois de tudo o que a gente fez, parece que a culpa foi nossa. O Brasil vivia uma crise fiscal profunda e saiu dela graças ao governo e graças ao Congresso, que aprovou uma reforma trabalhista, por exemplo.
CRÍTICAS FICAM MAIS FREQUENTES
Junto com o governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, Meirelles e Maia disputam o status de candidato de centro à Presidência da República. As críticas do presidente da Câmara a Meirelles, por razões diversas, têm ficado cada vez mais frequentes. Perguntado sobre o fato de os principais atores do impasse serem pré-candidatos, o ministro da Fazenda desconversou:
Meirelles afirmou que o Congresso tem aprovado as reformas importantes na área fiscal. Ele disse que continua a negociar com o Legislativo os outros projetos para a melhoria das contas públicas. E que está otimista para a aprovação delas, inclusive a reforma da Previdência.
Perguntado sobre o impacto que o rebaixamento do Brasil pode ter sobre sua eventual candidatura à Presidência, Meirelles disse que não pensa neste assunto agora. Ele reafirmou que só decidirá se entra na disputa eleitoral em abril. E disse ainda que movimentos de revisão de notas pelas agências são pontuais e não “eventos políticos”.
Aliados do Palácio do Planalto no Congresso avaliam que o governo tem duas tarefas simultâneas: acalmar a base e usar esse rebaixamento como arma para pressionar os parlamentares a votar a reforma, com o discurso de que tudo pode piorar caso ela não seja realizada. Segundo interlocutores de Temer, o presidente quer ir para “o tudo ou nada” no dia 19 de fevereiro.
O líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), condenou as declarações de Meirelles contra o trabalho do Congresso e avaliou que o ministro não reverteu a irritação entre os deputados com o tom mais ameno de ontem. Lira é aliado de Maia e apoia seu nome para 2018.
Já o vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), disse que Meirelles não errou ao falar que o Congresso tem a sua responsabilidade:
— O Congresso é culpado mesmo de não ter votado as coisas que mais interessavam. Mas o presidente Temer sempre está dando a sinalização de que o Congresso é importante. Acredito que, no dia 19, ou vota ou desiste.
O Globo

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