quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Brasileiro preso há 1 ano por terrorismo na Ucrânia ganha liberdade provisória

Rafael Marques Lusvarghi, brasileiro preso há mais de um ano e dois meses na Ucrânia sob acusação de terrorismo por ter lutado contra o exército ucraniano ao lado de tropas militares rebeldes, foi solto provisoriamente no mês passado pela Justiça ucraniana. Vídeos divulgados pelo paulista a amigos nas redes sociais mostram ele fora da prisão (veja acima).
O Ministério das Relações Exteriores no Brasil confirmou nesta terça-feira (2) ao G1, por meio de nota, que o paulista de 32 anos está “em liberdade provisória” (leia abaixo a íntegra do comunicado do Itamaraty).
Rafael deixou a prisão no dia 18 de dezembro de 2017. Ele foi detido em Kiev, capital da Ucrânia, em 6 de outubro de 2016. O poder judiciário da Ucrânia, no entanto, não teria informado o motivo da soltura a Rafael, a seus advogados e nem mesmo à Embaixada brasileira.
Como será julgado novamente por terrorismo, em data ainda não marcada, uma das hipóteses mais prováveis é a de que o brasileiro foi solto provisoriamente até que a Justiça marque a data de seu julgamento. Seu passaporte foi retido pelas autoridades ucranianas para que ele não deixe o país.
Rafael sempre negou o crime. A reportagem não conseguiu localizá-lo para comentar o assunto.
Amigos do brasileiro contaram que ele pediu para divulgar o vídeo e fotos de sua vida fora das grades porque esperava ser julgado novamente ainda neste mês. Para isso, deveria voltar à prisão, já que os réus têm de ficar enjaulados nos tribunais durante os julgamentos.
Na gravação feita por celular, Rafael se alimenta e diz algo, mas por problemas técnicos não é possível ouvir o áudio. Em uma das fotos, o brasileiro aparece ao lado de uma pessoa em frente ao portão de um imóvel.
Em 25 de janeiro de 2017, quando ainda usava cabelos compridos, Rafael foi julgado a primeira vez por terrorismo. Naquela ocasião, ele havia sido condenado a 13 anos de prisão pelo crime.
A defesa de Rafael, porém, recorreu, alegando que houve uma série de irregularidades no processo, como ausência de tradução na língua portuguesa e até denúncias de que ele foi torturado para confessar um crime que nega ter cometido. A Justiça da Ucrânia decidiu então anular em agosto do ano passado aquele julgamento e marcar outro. A sentença que o condenou foi anulada.
No último dia 14 de novembro de 2017, um tribunal ucraniano determinou que Rafael deveria ser julgado diante de um juiz diferente. A data desse julgamento ainda não foi definida. E pouco mais de um mês depois, a Justiça decidiu soltar o brasileiro.
Rafael contou a amigos que foi acordado de noite pelos responsáveis pela cadeia. Ele só recebeu a informação de que deveria sair. Não pôde levar o passaporte nem dinheiro. Deixou a prisão e decidiu seguir sozinho para a Embaixada do Brasil em Kiev.
Os funcionários da Embaixada receberam Rafael, deram comida e abrigo. Depois, pagaram uma hospedagem para ele num hotel próximo. Desde então, Rafael tem se dedicado a conversar com amigos e parentes no Brasil.
O G1 não conseguiu localizar representantes do Consulado da Ucrânia em São Paulo para comentar o assunto. A reportagem também não encontrou os advogados de Rafael no Brasil e na Ucrânia para tratarem do caso.
G1

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