domingo, 24 de dezembro de 2017

Sem PM nas ruas, Rio Grande do Norte tem quatro mortos e criança baleada

Duas mulheres, um homem e um adolescente mortos, além de uma criança de 1 ano e 11 meses baleada e socorrida ao hospital. Este foi o saldo de mais uma noite e madrugada violentas em Mossoró, segunda maior cidade do Rio Grande do Norte. Os crimes aconteceram entre a sexta (22) e este sábado (23). Ninguém foi preso. Por conta da paralisação dos PMs, a cidade só conta com 30% do efetivo nas ruas.
Em Taipu, cidade distante 60 quilômetros de Natal, o desembargador aposentado Osvaldo Soares da Cruz, ex-presidente do Tribunal de Justiça do estado, foi vítima de um assalto seguido de sequestro relâmpago.
Assim como vem acontecendo em Natal, na capital do estado, Mossoró também sente a falta de policiamento ostensivo. Desde a terça (19), praças e oficiais da PM e do Corpo de Bombeiros estão aquartelados. Nas praias não há bombeiros trabalhando como salva-vidas, pois eles também pararam. O protesto é por causa dos salários atrasados, situação recorrente já alguns meses no estado.
Segundo o coronel Eliause Moreira, comandante da Polícia Militar em Mossoró, apenas 30% do efetivo vem atuando no patrulhamento. O restante, não sai dos quartéis por alegar falta de estrutura, além dos salários de novembro, que ainda não foram pagos.
Em Natal, a Força Nacional foi convocada para ajudar no patrulhamento. Entre homens e mulheres, 70 agentes chegaram à cidade para dar apoio no patrulhamento. Mossoró não recebeu reforço algum.

Duplo homicídio

As duas mulheres foram baleadas no início da noite. Maria Ivanilda Bezerra da Silva, de 29 anos, e Maria Genicleide Fernandes, de 39, estavam na rua Felipe Camarão, próximo ao viaduto na saída para a cidade de Apodi, no bairro Aeroporto, quando foram surpreendidas pelos assassinos. Maria Genicleide morreu no local. Já Maria Ivanilda, ainda recebeu socorro médico, mas morreu na ambulância, a caminho do Hospital Regional Tarcísio Maia.
Pouco tempo depois, ainda na noite da sexta, criminosos armados invadiram uma residência na rua Zeca Cirilino, no bairro Barrocas, e mataram um homem identificado como Rodolfo Renarlly Afonso de Souza, de 26 anos. Ele dormia em uma rede ao lado de uma criança, filha dele. O pai morreu na hora. A menina, que tem 1 ano e 11 meses, também foi baleada. Ela foi socorrida pela Polícia Militar para o Hospital Regional Tarcísio Maia. Há informações que ela está fora de perigo. Já a mãe da garota e uma outra mulher que também dormiam na casa, nada sofreram.

Adolescente morto

Carlos Germado, que no dia 10 de janeiro completaria 18 anos, foi a última vítima. Ele foi assassinado já na madrugada deste sábado. Estava em casa, na Av. Cunha da Moto, no Alto da Conceição, quando os bandidos chegaram e atiraram nele.
Ao lado do corpo de Carlos foi encontrada uma espingarda artesanal com um cartucho deflagrado, e também havia rastro de sangue do lado de fora da casa. Por este motivo, a polícia acredita que ele tenha reagido e atingido um dos criminosos.
Os homicídios serão investigados pela Delegacia de Homicídios da cidade.

RN sem PM


Desde a terça (19) que o RN vem sofrendo com a falta de policiamento militar nas ruas. Além de exigir o pagamento em dia dos salários, os militares também dizem que só deixam os batalhões com viaturas, materiais de proteção e armas em condições adequadas de uso. Por isso, alegam que não estão em greve, mas realizando uma operação chamada 'Segurança com Segurança'.
Agentes, escrivães e delegados da Polícia Civil se uniram ao protesto e estão trabalhando em escala de plantão. Isso significa que desde o início do movimento apenas as delegacias de plantão e as regionais estão funcionando. Agentes penitenciários estão em greve, o que impede a realização de visitas e banhos de sol nos presídios do estado.
Desde o início da paralisação, o comércio de rua na capital vem registrando vários casos de arrastões, arrombamentos e saques. Além disso, houve um pico de roubos de veículos entre quarta-feira e quinta-feira: 36 casos foram registrados, contra uma média de 20.
G1 solicitou à Secretaria de Segurança Pública (Sesed) estatísticas de roubos a estabelecimentos comerciais, casas e veículos na semana anterior à paralisação e na atual agora. Mas, até o momento, a pasta ainda não forneceu os dados. Neste ano, o estado registrou mais de 2,4 mil homicídios – o maior número da história.

Paralisação contestada


O governo do estado tentou, na Justiça, obrigar os policiais a voltarem ao trabalho nas ruas, alegando que a paralisação é uma greve disfarçada. Mas, até o momento, não teve sucesso. Na quinta (21), o desembargador Dilermano Motta, do TJ, negou pedido feito pela Procuradoria-Geral do Estado para suspender a paralisação feita pelas polícias Civil e Militar. Nesta sexta (22), o governo fez um novo pedido para que o TJ considerasse ilegal a paralisação dos policias, fato que foi novamente negado.
Ajuda financeira

Para pôr em folha em dia, o governo estadual tenta uma ajuda financeira de R$ 600 milhões junto ao governo federal. O Ministério Público de Contas da União, no entanto, recomenda que o dinheiro não seja liberado, pois este tipo de socorro seria inconstitucional.

Salários e 13º


Na quinta (21), o governo pagou os salários de novembro dos servidores que ganham até R$ 2 mil, e na sexta (22) depositou o dinheiro de quem recebe até R$ 3 mil. Já quem ganha acima disso, deve receber somente na próxima semana, dia 29 de dezembro, que é quando o governo promete concluir a folha de novembro.
O 13º salário, ainda de acordo com o governador Robinson Faria, só deve ser pago no dia 10 de janeiro. Já a folha de dezembro, só deve ser concluída no dia 30 de janeiro de 2018.
G1 

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