domingo, 17 de dezembro de 2017

ROBERTO CAVALCANTI COMPARTILHAR: O PREÇO DA OMISSÃO

Na vida temos duas possibilidades, falar ou calar. Há vantagens no silêncio: não se perde tempo com longos debates, não atraímos inimizades e sempre é possível adaptar o discurso às conveniências do momento. Mas, o imobilismo tem custo altíssimo. Sou avesso à omissão.

Por que estou falando sobre isso? Primeiro, porque considero a omissão um dos maiores crimes contra a cidadania; segundo, porque contribuir com o debate é obrigação de todo cidadão; terceiro, porque estou cansado de oportunistas e acovardados.

Quero fazer a minha parte, dar a minha contribuição como cidadão. Recuso o conforto do silêncio quando o futuro do Brasil está em questão. E a reforma da Previdência tem o poder de acelerar a retomada do desenvolvimento econômico que já é visível para ‘gregos e troianos’, ou configurar um cenário futuro de retrocesso.

Todos os governos ao longo dos últimos 20 anos pregaram a necessidade dessa reforma. Foi assim com o social-democrata FHC, com os esquerdistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Todos fizeram, em seu tempo, ajustes para reduzir o déficit crescente. Agora é a vez do centrista Michel Temer.

As soluções tiveram prazos de validade curtos porque a expectativa de vida no Brasil subiu e a economia não cresceu o suficiente para pagar a conta. Estudo do Ipea mostra que em 1992, para cada 12 brasileiros havia um aposentado ou pensionista. Em 2015 já era um para cada sete brasileiros. No Brasil atual, 14,25% já são aposentados ou pensionistas.

Estudo da OCDE alerta que se nada fizermos, em 2050 o Brasil será o campeão em aposentadorias, considerando o PIB, superando todos os países do G-20. Economistas do governo avaliam que, sem a reforma, a carga tributária deve subir 8,5% nos próximos anos, o que impactará nossa competitividade, e por tabela, o emprego, a renda...

Não estou descendo aos detalhes da reforma. Estou me atendo à necessidade de que algo seja feito pela Previdência.

O momento de fazê-la não é fácil, até porque estamos com um governo que, mesmo tendo feito reformas importantes e tirado o País da pior recessão da sua história – e os indicadores econômicos como juros, inflação, balança comercial e do emprego mostram isso –, não tem aprovação popular.

É momento ideal para os oportunistas. Uns não votam porque não querem dar essa vitória a um governo por eles chamado de golpista. Outros, na contramão dos estatutos partidários, resistem por conveniências eleitorais, iguais às dos que se utilizaram do governo para desembarcar no último porto antes do ano eleitoral.

Não devemos esquecer os que tentam se desviar do tema: não votam porque existem outras despesas que deveriam ser corrigidas antes. É o exemplo máximo do oportunismo, porque têm consciência da importância da reforma. Ora, faça voto em separado, mas não se omita.

Os partidos também não dão bom exemplo: abrem mão do instrumento de fechar questão por interesses políticos. Quando fecham, não punem.

Se não tivesse nenhum impacto sobre as vidas de todos os brasileiros, a reforma teria um mérito a ser considerado: iguala os direitos dos trabalhadores da iniciativa privada e do setor público. Estes custam o triplo para a Previdência, pois só os que entraram após 2003 não vão se aposentar com salário integral.

Vamos ver quem vota pelo Brasil ou pró-estagnação da economia, porque é isso que está em jogo. Quem se omite é porque prefere defender privilégios de poucos em detrimento da maioria.

Assino embaixo da lição de Bertold Brecht: “Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem”.

Se existe patrulhamento pelo ‘Não’, que está por toda parte, a mim, Roberto, cabe fazer o meu, pelo ‘Sim’. Também vou, humildemente, anotar quem é quem.


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