domingo, 17 de dezembro de 2017

Quase 18 milhões de crianças vivem com menos de US$5,5 por dia

Aproximadamente 18 milhões de crianças e adolescentes de até 14 anos vivem com pouco mais de US$ 5 por dia. O valor é considerado de extrema pobreza pelo Banco Mundial, levando em conta os níveis de desenvolvimento do Brasil e da América Latina. Os dados fazem parte da Síntese dos Indicadores Sociais, divulgados nesta sexta-feira (15) pelo IBGE.


Segundo a publicação, o número corresponde a 42,4% de todo a faixa etária. A linha utilizada para avaliação, de US$ 5,50 ao dia, corresponde a uma renda mensal per capita de R$ 387. Com essa base de análise, mais de 25% da população brasileira se encontrava em situação de pobreza no ano passado. Na análise por regiões, o Norte e o Nordeste do país foram as que apresentaram a maior incidência.

O analista do IBGE, Leonardo Athias, afirma que um dos principais objetivos do levantamento é analisar as condições de vida através dos diferentes perfis. O especialista descreveu as principais características de quem está em situação de risco.
“Sobretudo, as pessoas que moram em arranjos familiares em que tem uma mulher, sem cônjuge, com filhos de até 14 anos, mostram uma incidência bem maior de pobreza. Utilizando essa linha do Banco Mundial, o índice chega a 60%.”

A pesquisa indica ainda que, uma mãe pretas ou pardas com filhos de até 14 anos sem parceiro em casa, representam 64% dos brasileiros que vivem na linha de extrema pobreza.Mais de 60% desse grupo de pessoas vivia sem, pelo menos, um dos três serviços de saneamento básico, que incluem abastecimento de água por uma rede geral, esgotamento sanitário por uma rede coletora ou pluvial e coleta de lixo.

Segundo Athias, não há no Brasil hoje uma linha que determine um padrão para se estabelecer a pobreza, tendo assim, alguns recortes possíveis. Do ponto de vista da pobreza extrema do Bolsa Família, em que as pessoas vivem com apenas R$ 85 mensais, cerca de 4,2% da população brasileira se encaixa no perfil.

Do ponto de vista da pobreza extrema global, caracterizada pelo Banco Mundial e que usa como parâmetro renda de US$ 1,90 por dia ou R$ 134 por mês, 6,5% da população brasileira se encontra nessa situação.

Para se ter ideia do que isso representa, rendas como essas são insuficientes para se comprar uma cesta básica. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese, em Porto Alegre, por exemplo, onde foi registrado o preço mais alto do Brasil, itens essenciais que fazem parte do prato da maioria dos brasileiros custavam R$ 444,16. Mesmo em Salvador, que tem a cesta mais barata entre todas as capitais (R$ 315,98), uma pessoa em situação de pobreza precisaria juntar dinheiro por mais de dois meses para comprar uma cesta básica.

Pb Agora

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