quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Embaixador da Venezuela na ONU renuncia após pedido de Nicolás Maduro

O embaixador da Venezuela na ONU, Rafael Ramírez, anunciou nesta terça-feira (5) que ontem apresentou sua renúncia ao cargo, após um pedido do presidente Nicolás Maduro. A renúncia foi comunicada pelo próprio Ramírez em sua conta no Twitter e confirmada por fontes da missão venezuelana na ONU. A informação é da agência EFE.
Em sua mensagem, o embaixador inclui uma carta dirigida ao chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, na qual também faz uma análise de sua gestão, que começou em 5 de janeiro de 2015.
Na carta, Ramírez menciona uma conversa com Arreaza em data não especificada e diz que renuncia como embaixador na ONU cumprindo com a "instrução" recebida de Maduro para que deixe de representar a Venezuela nas Nações Unidas.
"Fui removido pelas minhas opiniões", afirmou no Twitter o diplomata e ex-presidente da companhia petrolífera venezuelana PDVSA. "Continuarei, aconteça o que acontecer, leal ao comandante Chávez", acrescenta Ramírez, citando o falecido presidente venezuelano Hugo Chávez.
Em sua carta a Arreaza, Ramirez afirma que a decisão de renunciar foi "muito difícil", pois envolve encerrar suas funções quando o país atravessa "uma situação de crise político-econômica onde a frente internacional adquiriu uma relevância extraordinária. Não obstante, diante da decisão do presidente, não tive outra escolha".
O diplomata tinha criticado recentemente a gestão econômica do governo Maduro e defendido seu próprio trabalho à frente da PDVSA, que atualmente é alvo de uma profunda investigação das autoridades venezuelanas por supostos atos de corrupção.
Críticas sinceras
Na carta de renúncia, Ramírez afirma que todas as suas observações foram feitas "honestamente e em público, depois de expressá-las insistentemente nos espaços políticos correspondentes. Esperava que fossem bem recebidas, mais ainda quando estão colocadas de maneira construtiva, com a única intenção de gerar uma discussão criativa, revolucionária, com o único objetivo de superar juntos esta situação".
O diplomata também afirma que, a partir de sua renúncia, "aumentarão os ataques e os vilipêndios" contra ele, "como já fizeram algumas vozes ofensivas e astuciosas".
Agência Brasil 

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