sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Congresso do Peru rejeita pedido de impeachment do presidente Kuczynski

O pleno do Congresso do Peru rejeitou, nessa quinta-feira (21), o pedido de impeachmentapresentado pela oposição contra o presidente Pedro Pablo Kuczynski sob a alegação de "permanente incapacidade moral" pelos seus vínculos com a construtora Odebrecht.
Após uma sessão que durou mais de 13 horas, o pedido de cassação teve 79 votos a favor. Para ser aprovado, a lei estabelece que ele precisava do apoio mínimo de 87 dos 130 legisladores.
Na decisão final, os legisladores do bloco de esquerda Novo Peru tiveram papel fundamental. Eles se retiraram antes da votação e exibiram cartazes que diziam: "Nem golpismo, nem lobismo".
No entanto, também houve a surpreendente abstenção de dez legisladores do partido fujimorista Força Popular, que domina o Congresso e tinha anunciado uma votação em bloco a favor da cassação.
A votação ocorreu após um debate no Congresso que durou mais de nove horas. O debate foi precedido pela defesa feita por Kuczynski diante do plenário durante mais de duas horas, acompanhado pelo seu advogado, Alberto Borea.
Kuczynski pediu aos congressistas que salvassem a democracia e rejeitassem o pedido de destituição, negando que tenha favorecido a Odebrecht ou mentido na sua relação com a construtora.
O pedido de impeachment foi feito por causa da consultoria financeira dada pela empresa Westfield Capital, do presidente, à Odebrecht, entre os anos de 2004 e 2007, por um projeto de irrigação no Peru.
Kuczynski também pediu desculpas pois, segundo ele, deveria "ser o primeiro a notar as dificuldades para sanar as feridas após a disputa democrática" de 2016, onde obteve vitória apertada sobre a atual líder da oposição, Keiko Fujimori.
"Não está em jogo a minha permanência no cargo, está em jogo a estabilidade democrática. Não apoiem uma vacância sem sustentação, porque o povo não esquece, nem perdoa", afirmou o presidente.
Ele reiterou que é proprietário da Westfield Capital desde 1992, e que quando foi ministro do governo de Alejandro Toledo (2001-2006) essa companhia era administrada por seu ex-sócio Gerardo Sepúlveda.
Além disso, ressaltou que "a lei proíbe que (um funcionário público) administre interesses próprios ou de terceiros (em companhias privadas), mas os dividendos que um empresário recebe por parte de uma empresa são pela propriedade da mesma, não pela sua gestão".
"Sou um homem honesto, jamais recebi uma propina, um suborno, que tenha distorcido a minha vontade. Nem minha empresa, nem eu fomos contratados pelo governo, jamais incorri em conflito de interesses", frisou.
A rejeição ao pedido de impeachment encerrou uma intensa semana de crise política no Peru, que começou na quinta-feira da semana passada (14), quando a Odebrecht divulgou um documento sobre as consultorias feitas pela empresa de Kuczynski.
Agência Brasil 


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