terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Com benefício sob ameaça, juízes atacam verba de outros servidores

Não caio só Sob ameaça de corte do auxílio-moradia, a Associação dos Juízes Federais levantou honorários pagos a integrantes da AGU de maio a outubro deste ano. Em média, eles receberam ao menos R$ 4.000 por mês. Esses valores ficam de fora do cálculo do teto salarial e podem fazer a remuneração extrapolar o limite de R$ 33,7 mil. A Ajufe vai levar os dados à Comissão Especial do Extrateto, do Senado, que discute proposta para limitar ganhos dos servidores ao máximo estabelecido por lei.
Origem As verbas extras destinadas aos membros da AGU são honorários pagos pelas partes que perderam ações. O montante ficava com a União, mas lei aprovada em 2016 determinou que os valores passassem a ser encaminhados a um fundo para serem divididos entre os integrantes do órgão de acordo com o tempo de serviço.
Linha de corte Ao mirar esses honorários, a Ajufe quer trazer novo elemento para defender o direito do auxílio-moradia de R$ 4.377,73 a juízes. O pagamento do benefício deve ser discutido pelo STF em 2018.
Revanche “Estão visando apenas os vencimentos da magistratura e esquecendo os de outras carreiras. Os honorários públicos são um extrateto. É dinheiro que deveria ser direcionado aos cofres públicos. Por que não se discute isso?”, provoca Roberto Veloso, que dirige a associação dos magistrados.
Cada um na sua Desde que o DEM decidiu incluir seu nome na longa lista de presidenciáveis de 2018, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), começou a manter distância regulamentar do ministro Henrique Meirelles (Fazenda).
Porta fechada? Maia mantém postura solidária à agenda econômica, mas tem evitado conversar sobre política com o titular da Fazenda.
Onde pega Se optar por um voo solo, o presidente da Câmara pode criar problemas para o ministro. Hoje no PSD, Meirelles pretendia migrar para o Democratas se sua atual sigla não lhe der legenda para disputar.
Terapia de grupo O ministro da Fazenda disse a pessoas próximas que vai usar o recesso de fim de ano para preparar a família para o ambiente beligerante que enfrentará caso seja mesmo candidato ao Planalto.
Chamada oral O PSDB vai começar a mapear potenciais candidatos a cargos majoritários nos Estados. Todos os diretórios da sigla serão procurados a partir desta quarta (27). O trabalho ficou a cargo do secretário-geral da legenda, Marcus Pestana (MG), e do primeiro-secretário, Eduardo Cury (PSDB-SP).
Planejar é preciso A dupla pretende levar à executiva nacional tucana um raio-x das possibilidades do partido para 2018, na tentativa de iniciar o ano com um mapa das alianças que poderão ser feitas pelo país.
Grana curta O PSDB também quer quantificar o número de candidatos a deputado federal e estadual que deve lançar. Motivo: sem fonte alternativa de financiamento, o dinheiro do fundo eleitoral precisará ser bem gasto.
Dois é demais Tucanos que sonham com uma aliança com o PMDB em SP dizem que Paulo Skaf (MDB), hoje cotado para o governo, poderá concorrer ao Senado. Acreditam que Marta Suplicy (MDB), hoje na Casa, será pressionada a sair para deputada para evitar duelo com o ex, Eduardo Suplicy (PT).
Não vai ter luta Preocupados com conflitos, organizadores dos atos em defesa da candidatura de Lula têm orientado expressamente manifestações pacíficas.
Suave “Vamos defender a democracia, a paz e o direito de Lula ser candidato. Sem declarar guerra”, escreveu Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares, a um de seus grupos.

TIROTEIO
Fomos obrigados a vencer um leão por dia em 2017. Estamos preparados para, em 2018, vencermos a batalha da Previdência.
DO MINISTRO CARLOS MARUN (SECRETARIA DE GOVERNO), sobre a articulação do Palácio do Planalto para tentar as aprovar novas regras de aposentadoria.

CONTRAPONTO
Quem cala consente
Em 2016, durante um debate sobre o financiamento de campanhas eleitorais, o marqueteiro Renato Pereira expressou otimismo com o fim das doações de empresas.
— O simples fato de excluir pessoas jurídicas vai provocar uma rearrumação. A nova lei é bem vinda.
A certa altura, o cientista político Bruno Reis citou a Lava Jato e os riscos que ela criou para os políticos:
— Teve gente condenada por caixa um, dinheiro doado legalmente. Que dirá por caixa dois!
Pereira ouviu impassível e examinou as unhas.
Ligado ao MDB do Rio, ele virou alvo da Lava Jato meses depois e fechou acordo de delação premiada em 2017.

Folha de São Paulo 



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