domingo, 12 de novembro de 2017

Saudade familiar e isolamento. Choro de Neymar vai além das críticas no PSG

Fim de jogo em Lille, vitória do Brasil por 3 a 1 sobre o Japão e Neymar chega para a entrevista na sala de coletivas. A cena não é nada comum, já que era Tite quem naturalmente ocuparia o espaço. E o camisa 10 não estava ali para comentar o gol marcado de pênalti ou uma nova vitória com a camisa amarela. O foco era outro. Da cara fechada no início aos olhos cheios de lágrimas no fim, o craque dava seu recado: estava abalado, incomodado. No discurso, uma chateação com os ataques que vem sofrendo da imprensa local por conta das polêmicas no PSG. Mas a verdade vai além.
Neymar não está feliz com as críticas, mas o noticiário negativo nos principais diários parisienses é apenas uma parte do copo que transbordou na última semana e fez o jogador derramar as lágrimas em Lille. Na mistura, o sentimento de quem sente saudades da família e um isolamento acima do normal na nova rotina na capital francesa. Some a isso a dificuldade em se comunicar. Não apenas pela língua que desconhece, mas também na convivência dentro de um vestiário dividido, um cenário novo na carreira dele.
O choro de Neymar foge do roteiro. Por vezes arredio com os jornalistas, o atacante deu mostras de intranquilidade. Não há irritação nas respostas. E sim, a palavra “desculpa” presente em quase todas as frases.
“Eu sou um ser humano como qualquer um de vocês, acordo de mau humor. Tem dia que acordo feliz, dia que não, choro, dou risada, fico bravo, erro bastante, mas estou aqui para aprender todos os dias. O que eu peço para vocês é que... Vou pedir desculpas pelos meus erros, porque quando você é um jogador de futebol, ainda mais sendo ídolo, espelho para muita gente, você tem de ser perfeito, e muitas das vezes eu não sou”, destacou Neymar, como um recado final de quem foi informado que se tratava da última resposta da entrevista coletiva.
Reprodução/Instagram
Neymar com Davi Lucca, Messi e Suárez em recente visita a BarcelonaImagem: Reprodução/Instagram
A sensibilidade de Neymar é estranha para um jogador sempre brincalhão com os companheiros nas postagens do dia a dia em redes sociais. As lágrimas na coletiva ainda se estenderam ao vestiário, na conversa com os outros jogadores.
“Não me sinto muito à vontade para falar de coisas do dia a dia do Neymar por não estar por perto. Mas eu jogo com o Neymar há sete anos, desde os tempos de Santos, e posso dizer que sempre foi assim, muita pressão. Só que não é fácil lidar com esse tipo de pressão intensa, tendo que demonstrar dentro de campo. Aí acho normal você acaba explodindo em sentimento mesmo”, disse Danilo.
Vindo de Neymar, não é normal, ao menos publicamente. Extremamente competitivo, ele já foi visto chorando em eliminações mais duras. Foi assim na queda do Barcelona contra a Juventus, pelas quartas de final da Liga dos Campeões da última temporada, ou com a dor de ficar de fora da Copa Mundo de 2014. Na última sexta, porém, ele teve a primeira entrevista carregada de emoção da carreira.
Neymar enfrenta o maior desafio como jogador tendo de lidar com problemas sentimentais. Aos 25 anos, virou o jogador mais caro da história com 222 milhões de euros pagos pelo PSG ao Barcelona. Apenas mais um detalhe para quem mudou de cidade, enfrenta a distância do filho, rompeu namoro recentemente, teve problemas com o treinador Unai Emery e brigou no vestiário com um dos líderes do time, o uruguaio Cavani.
A proximidade com amigos ainda o ajuda e a casa em Paris nunca está vazia. Mesmo assim, foi da irmã Rafaella Santos que Neymar pediu a visita. A mãe Nadine, outra que ainda mora em Santos, também chegou. Neymar quer a família unida em Paris.
Do filho David Lucca, de 6 anos, Neymar também carrega saudades. Aos amigos, comentou que a criança foi o principal motivo da viagem a Barcelona há duas semanas. Ele passou no parque na cidade, jogou bola em uma quadra pública, jantou e dormiu com o filho e até o levou para uma visita aos ex-companheiros de Barcelona. 
David Lucca tem mudança a Paris planejada ao lado da mãe, Carol Dantas, para 2018. Conversas para antecipar o cenário se tornaram mais constantes. O lado pessoal choca com a irritação de vestiário no PSG. Neymar, acostumado a comandar grupos, teve discussões com Unai Emery e Cavani e não aceitava ser o número 2 do time em cobranças de pênaltis. A promessa agora é de paz.
“Nao tenho problema com Cavani e nem com o treinador (Unai Emery). Venho pedir a vocês (jornalistas) que parem, por favor”, disse o camisa 10. Na França, a imagem de Neymar ruiu em pouco tempo. As críticas pelo comportamento e as constantes informações de atritos no clube foram ignoradas por algum tempo. Neymar, enfim, desabafou.
“Vim aqui por vontade própria, eu que quis, queria falar o que eu penso. Eu sou bem realista, não gosto de burburinhos, de histórias. O que eu falo de incômodo é sobre pessoas que pensam que sabem de tudo e não sabem. Então é mais fácil vocês escutarem da minha boca. Eu não tenho nenhum problema no PSG, o que me incomoda é a pressão da imprensa. Eu sou um cara que gosta de vencer, gosto de títulos e eu fui para o PSG para isso. Eu estou feliz. Eu era feliz quando deixei o Barcelona e sou feliz agora”, avisou Neymar.

UOL 

Nenhum comentário:
Write comentários

Disqus Shortname

Hey, we've just launched a new custom color Blogger template. You'll like it - https://t.co/quGl87I2PZ
Join Our Newsletter