segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Família teme por segurança de adolescente que abriu fogo em escola

GOIÂNIA — O pai do adolescente de 14 anos que abriu fogo contra a turma de escola, um major da Polícia Militar (PM) de Goiás, disse neste domingo ao GLOBO que a família está "muito abalada" e que o destino do filho ainda está indefinido. Na noite de sábado, a juíza plantonista Mônica Cezar Moreno atendeu a um pedido do Ministério Público de Goiás e determinou a internação provisória do jovem por 45 dias, com transferência imediata para o Centro de Internação Provisória de adolescentes em Goiânia. 
A advogada da família, Rosângela Magalhães, tenta evitar que o jovem deixe neste domingo a cela da delegacia especializada em atos infracionais, onde está isolado desde a tragédia no Colégio Goyases, no fim da manhã de sexta-feira. Ela teme pela integridade física do adolescente, por entender que o Centro de Internação Provisória não tem condições para recebê-lo com segurança, principalmente porque o garoto é filho de policiais militares e também porque o caso teve grande repercussão e comoção. (LEIA MAIS: 'Não julgue nosso filho e nossa família', pede mãe de vítima)
‘A família está muito abalada’
- PAI DE ADOLESCENTE QUE ABRIU FOGO EM ESCOLA EM GOIÂNIAJovem atirou e matou dois colegas de turma
A arma usada era da PM goiana, instrumento de trabalho da mãe do adolescente, sargento da PM. Ela passou mal e foi hospitalizada depois do episódio. O pai é major da PM. Os adolescentes João Pedro Calembo e João Vitor Gomes, de 13 anos, foram baleados e morreram dentro da sala de aula. Outros quatro alunos do oitavo ano do ensino fundamental ficaram feridos. Uma menina permanece em estado grave.
— É uma situação muito difícil, indefinida para toda a família. Não tenho condições, não estou preparado para dar nenhum depoimento nesse momento em relação ao que aconteceu. Fui orientado pela própria promotoria e pela advogada. A família está muito abalada ainda. Não tem nenhuma definição ainda quanto à questão do meu filho — disse o pai do jovem.
A reportagem questionou se ele teme pela segurança do filho:
— Tudo que for feito dentro da legalidade será feito. A Justiça está aí, a Justiça vai definir tudo. Vai cumprir todos os ritos, evidentemente.
Para a advogada da família, o adolescente não pode ficar no local de uso comum de adolescentes infratores, tanto pela repercussão do caso quanto por ser filho de policiais. Ela tenta garantir a permanência dele na cela da delegacia até a apresentação ao juiz da Vara de Infância e Juventude, prevista para a segunda-feira, como consta na decisão judicial. Um outro agravante, segundo a advogada, é que o pai já atuou em presídio, como policial militar.
— Adolescentes que são apreendidos no fim de semana só são levados ao centro de internação na segunda, geralmente. Ele precisa permanecer numa cela separada — afirmou Rosângela.
O ato do adolescente foi premeditado, é gravíssimo e causou sérios danos psicológicos aos alunos, segundo manifestação da juíza plantonista Mônica Moreno na decisão pela internação provisória por 45 dias. A punição máxima é uma internação por três anos, mas isso só pode ocorrer com a instrução do processo em curso.
Segundo a juíza de Goiânia, o pedido do MP especifica que os atos infracionais do adolescente são análogos ao homicídio qualificado previsto no Código Penal, mais especificamente os incisos que falam em motivo fútil e emboscada, que impede a defesa da vítima. A internação provisória, então, como medida extrema, se faz necessária porque há indícios suficientes de autoria e necessidade de garantia da segurança pessoal do adolescente e também da ordem pública, como consta na decisão.
"O apreendido admitiu expressamente que premeditou e executou o ato infracional objeto da presente análise ao ser ouvido pela autoridade policial e pelo Ministério Público", escreveu a juíza na decisão. "A custódia cautelar do adolescente é medida que se impõe para a garantia da ordem pública, considerando a gravidade em concreto do ato infracional análogo ao crime de homicídio consumado e tentado", continuou.
Ainda segundo Mônica, "é de grande relevância ressaltar que se trata de ato gravíssimo, pois o adolescente, com o emprego de arma de fogo, ceifou a vida de dois adolescentes, colocando em risco a vida de outros tantos, inclusive com sérias lesões à integridade física e psicológica de alguns deles". "O fato trouxe grande repercussão em todo território nacional com abalo à opinião e à ordem pública, de maneira que cabe ao Poder Judiciário uma postura de rigidez frente ao ocorrido, inclusive como forma de preservar a integridade física do representado", disse a juíza
Uma das vítimas do ataque, Hyago Marques, de 13 anos, recebeu alta neste domingo do Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO). Isadora de Morais, Lara Fleury e Marcela Rocha seguem internadas. O caso mais grave é de Isadora que foi atingida por três tiros e corre risco de morte. Ela foi baleada no tórax, no pescoço e em uma das mãos. A adolescente passou por cirurgia e segue numa unidade de terapia intensiva (UTI), sedada, respirando com a ajuda de aparelhos.
O Globo 

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