sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Estados Unidos saem da Unesco e acusam agência de ser anti-Israel

WASHINGTON - Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira que vão se retirar da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), anunciou o Departamento de Estado. De acordo com a gestão do presidente Donald Trump, a agência adota um viés anti-Israel e tem dívidas elevadas, necessitando de uma reforma interna. Washington afirmou que pretende estabelecer uma missão de observação no órgão da ONU em substituição a sua representação nela, informou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.
Os Estados Unidos cortaram o financiamento à Unesco após o órgão decidir incluir a Autoridade Palestina como um membro em 2011, mas o Departamento de Estado manteve seu escritório na sede da agência em Paris, na tentativa de avaliar as políticas definidas. A decisão americana também é um desejo de economizar dinheiro, já que no projeto orçamentário da gestão Trump para o próximo ano fiscal não prevê a possibilidade de suspensão das restrições financeiras impostas à Unesco.
"Essa decisão não foi tomada levemente, e reflete as preocupaçõe dos Estados Unidos com o aumento das dívidas na Unesco, a necessidade de reformas fundamentais na organização e o continuo avanço anti-Israel na Unesco", disse o Departamento, acrescentando que os Estados Unidos buscaram "permanecer engajados (...) como um Estado não-membro observador para contribuir com as visões, perspectivas e expertise americanas.
Autoridades americanas, incluindo a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, já emitiram repetidas condenações a Unesco. Este ano, a agência foi pressionada pelos governos dos EUA e Israel após declarar a cidade palestina de Hebron como patrimônio mundial.
A entidade da ONU lamentou a saída dos Estados Unidos. A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, afirmou que a medida americana marca uma perda para o multilateralismo e para família ONU.
"Após receber uma notificação oficial do secretário de Estado dos Estados Unidos, o senhor Rex Tillerson, como diretora-geral da Unesco, gostaria de expressar profundo pesar sobre a decisão dos Estados Unidos da América de se retirarem da Unesco", disse Bokova em comunicado. "A universalidade é essencial para a missão da Unesco de construir a paz e a segurança internacionais em face do ódio e da violência através da defesa dos direitos humanos e da dignidade humana".
SEGUNDA RETIRADA DOS EUA
Essa é a segunda vez que o governo americano decide abandonar a Unesco. A gestão do ex-presidente Ronald Reagan tomou tal medida em 1984, afirmando que a agência era a favor da União Soviética. Quase duas décadas depois, no governo de George W. Bush em 2002, os Estados Unidos voltaram a se associar à agência da ONU.
A Unesco foi fundada em 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de garantir a paz através do livre fluxo de ideias e da educação.

O Globo 

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