segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Vulcões podem abastecer os carros elétricos do futuro

Os carros elétricos e os smartphones no futuro poderão ser carregados por supervulcões como o de Yellowstone. Essa possibilidade foi levantada após cientistas descobrirem que há nessas formações naturais enormes reservatórios de lítio - um elemento químico usado para fazer baterias, cujos suprimentos estão diminuindo no mundo.
O lítio é um metal branco, descoberto em agosto de 1817. Hoje, ele é amplamente usado na fabricação de baterias para telefones, laptops, câmeras e veículos. O elemento também foi usado em remédios psiquiátricos e para produzir armas nucleares.
A maior parte do lítio do mundo atualmente vem da Austrália e do Chile, mas esse é um recurso finito. Como as fábricas de automóveis e empresas de tecnologia utilizam quantidades cada vez maiores do metal, a demanda tem superado a oferta – fazendo os preços subirem.
Em um estudo publicado na revista Nature, pesquisadores da Universidade de Stanford e do US Geological Survey encontraram uma nova fonte potencial de lítio - dentro dos supervulcões da América.
Esses vulcões são capazes de produzir grandes erupções, cerca de 1.000 vezes maiores do que a média. Além do famoso vulcão de Yellowstone, existem três outros supervulcões nos EUA: Crater Lake, Long Valley e Valles Caldera.
Quando um vulcão desses entra em erupção, sua estrutura entra em colapso. O que sobra normalmente são grandes bacias, conhecidas como caldeiras. Essas novas estruturas muitas vezes são preenchidas com água e se tornam lagos. As cinzas e rochas expelidas durante a erupção ficam espalhadas nessa caldeira.
No estudo, a equipe analisou os supervulcões como uma fonte potencial de lítio, porque o magma presente neles é rico em lítio. Ao longo de milhares de anos, o lítio “vaza” dos depósitos vulcânicos, acumulando-se no lago da caldeira em forma de argila.
A equipe analisou as amostras retiradas do complexo de Caldeiras de High Rock, em Nevada (EUA), Sierra la Primavera, no México, Pantelleria no Estreito da Sicília, Yellowstone (EUA) e Hideaway Park, no Colorado (EUA). Ao comparar as concentrações de magma nessas formações, eles conseguiram demonstrar que os supervulcões têm o potencial de abrigar enormes quantidades de argila rica em lítio.
"Se você tem muito magma, a concentração de lítio não precisa ser tão grande para que o local seja digno de interesse econômico ", afirmou a co-autora do autor do estudo, Gail Mahood, em um comunicado. "Você não precisa de concentrações extraordinariamente elevadas de lítio no magma para formar depósitos e reservas de lítio".
Ter uma oferta de lítio disponível poderia ser extremamente útil nas próximas décadas. Essa nova fonte do metal poderia atender à demanda crescente e "diversificar a cadeia global de fornecimento de lítio", escreveu a equipe.
"Precisaremos usar veículos elétricos para diminuir nossa pegada de carbono", afirma Gail. "É importante identificar os recursos de lítio nos EUA para que não dependamos tanto de empresas ou de outros países ".
O autor principal Thomas Benson acrescentou: "Tivemos uma corrida por ouro, então sabemos como, por que e onde o ouro ocorre, mas nunca tivemos uma corrida por lítio. A demanda por lítio ultrapassou o entendimento científico do recurso, por isso é essencial que a ciência sobre o recurso seja desenvolvida".

Época Negócios 

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