sábado, 2 de setembro de 2017

Após 13 anos, Exército Brasileiro começa a se retirar do Haiti

"Sem os militares brasileiros, o Haiti tem que criar o seu próprio Exército", diz o haitiano Jude Brice, prefeito de Paillant, um vilarejo de 30 mil habitantes isolado nas montanhas do sul do Haiti.
Brice se diz preocupado porque, na sexta-feira (1), o último contingente de 950 militares brasileiros começa a se retirar definitivamente do Haiti, após 13 anos de serviço em solo haitiano sob a bandeira da ONU.
"Só na última semana aconteceram quatro tremores de terra fracos aqui na região. Se acontecer outra catástrofe, os brasileiros não vão estar aqui para ajudar, como estavam no terremoto de 2010 ou no furacão do ano passado", afirma.
O vilarejo de Paillant foi muito afetado pela passagem do furacão Matthew no ano passado e ainda está em processo de recuperação.
A Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) acaba oficialmente em 15 de outubro. Ela envolveu cerca de 20 países e foi liderada militarmente pelo Brasil. Custou aos cofres brasileiros mais de R$ 2,5 bilhões e levou cerca de 37 mil militares à ilha caribenha em sistema de revezamento.
Brice diz que é muito grato aos brasileiros, que o resgataram dos escombros e salvaram sua vida no terremoto de 2010.
"Os moradores costumam chamar os prefeitos e as autoridades de 'papai', aqui no Haiti isso é comum. Mas também significa que esperam que você cuide deles".
Ele explica que muitos haitianos aplicam essa mesma lógica paternalista à comunidade internacional.
"Eles [moradores de Paillant] me perguntam por que a ONU não trouxe projetos de desenvolvimento social para a cidade. Mas eu sei como a ONU funciona, eu trabalhei lá. Não dá para ficar cobrando tanta coisa. Era uma missão de paz, o importante é que não temos conflitos agora".
Atualmente o Haiti tem um presidente eleito democraticamente, Jovenel Moise, um Parlamento operante e teve três transições democráticas e pacíficas de poder consecutivas - algo que nunca havia acontecido na história do país.
Mas nem tudo vai bem. Com uma população de 10,5 milhões de habitantes, o Haiti ainda tem 2,3 milhões de pessoas ameaçadas pela fome e precisando de assistência imediata. E ao menos 4.200 estão desabrigadas desde o furação do ano passado, segundo o relatório mais recente da ONU.
Há também cerca de 7 mil casos de cólera registrados. A doença foi levada ao país acidentalmente por militares da ONU do sudeste asiático. Além disso há ainda 86 mil infectados pelo vírus HIV.
No campo econômico, o Haiti enfrenta um déficit fiscal de 2,5% do Produto Interno Bruto. Fora isso, uma grande parte da população sempre foi contrária à presença da ONU no Haiti.

UOL

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