Por isso, o Palácio do Planalto decidiu endurecer o discurso e cobrar fidelidade dos parlamentares contemplados com cargos e emendas nestes últimos meses.

No votação da Câmara, esta semana, foram 231 votos contra 188, uma diferença de apenas 43 parlamentares, um placar apertado.

Agora, o governo promete mudar de estratégia na articulação política, já pensando na reforma da Previdência, que só sai com o apoio de 308 deputados.

A ordem é chamar individualmente deputados que votaram contra o governo. Todos serão advertidos de que não será possível manter cargos sem fidelidade nas votações.

“Não dá para ocupar um cargo no governo e votar contra nós em reformas essenciais. É governo ou não é governo”, disse um líder da base.

Na semana que vem, líderes do governo na Câmara e no Congresso vão entregar ao presidente Michel Temer um mapa com os parlamentares infiéis. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, também faz o mapeamento.

Há quem defenda punições mais firmes por parte do Planalto, inclusive com perdas de cargos dentro governo.

O uso de um “bode expiatório” serviria de exemplo a outros parlamentares que pensassem em abandonar o governo em votações importantes.

A sensação é de que o governo já cumpriu a tarefa de formar a sua base, através da distribuição de emendas e cargos, e agora precisa cobrar a fatura.

Na votação da terceirização, os dois partidos com mais ministérios no governo tiveram alta taxa de infidelidade.

No PMDB, partido do presidente, dez deputados votaram contra o projeto e outros dez não foram votar ou optaram pela abstenção.

Já no PSDB, foram 11 votos contrários.

Outro líder governista vê na alta infidelidade o receio dos parlamentares com o custo político de apoiar a terceirização mas também uma resposta ao vácuo deixado pela indefinição na articulação política.

“É a mensagem de quem tem assuntos abertos com o governo, pleitos não atendidos”, disse.

Um líder governista resume o clima depois da vitória apertada na terceirização: “O governo passou pelo primeiro round, mas ainda tem outros dois: o da reforma trabalhista e o da reforma da Previdência, muito mais difícil e decisivo. Com essa votação, não vamos conseguir aprovar a Previdência.”